Dr. Iversen Ferrante Boscoli
  CRM: 85374 - SP Médico pela Universidade Federal do Paraná
  Cirurgião Plástico pela UNIFESP - Escola Paulista de Medicina
  Av. John Kennedy, 876 Jardim das Nações Taubaté - SP

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Cirurgia Estética em adolescestes


Tenho 16 anos. Posso fazer uma plástica?
Estou em crescimento. Isto altera a minha plástica?
Fazer minha plástica é o meu sonho.
Eu quero realmente fazer minha plástica! Nuca vou me arrepender.
Aviso aos Pais.
 

A Cirurgia Estética pode ser realizada em qualquer pessoa e em qualquer idade desde que o paciente goze de boa saúde.

A fase da adolescência se caracterizar por ser de muita instabilidade sócio emocional sendo preciso fazer algumas considerações e a analise de alguns fatores antes de um jovem realizar uma Cirurgia Estética.

A adolescência é o período de transição entre a fase infantil e início da fase de vida adulta de uma pessoa o que gera um grande número de conflitos internos que tem sua origem em fatores sociais e biológicos.

Uma situação que pode ser considerada como uma contra indicação relativa para a realização de uma cirurgia em adolescentes é o crescimento acelerado e as mudanças corporais resultantes. Estas podem vir a modificar o resultado de uma cirurgia, uma vez que a área submetida ao tratamento pode ainda vir a desenvolver-se e com isto mudanças não controláveis venham a ocorrer.

As mudanças corporais, com o surgimento dos caracteres sexuais secundários, o desenvolvimento corporal acelerado, a alteração no timbre da voz geram uma perda da identidade corporal do jovem que passa a viver grande insegurança frente ao descontrole que temos sobre estas mudanças. São mudanças muito aceleradas e caracteristicamente temos um corpo em desenvolvimento e cujo resultado final deste desenvolvimento é neste momento imprevisível.

Socialmente o adolescente busca ocupar um espaço no meio em que vive, luta pela sua aceitação social e vive o conflito de não poder ter uma conduta adulta frente a algumas situações ao mesmo tempo que lhe é cobrado este tipo de atitude frente a outras. Isto gera uma busca por uma identidade social e também é causa de grande angústia. Nesta busca por uma identidade social fatores como a indecisão frente a uma escolha profissional (e obrigação de escolha), imposição de modos e maneiras comportamentais pela sociedade em que vive e pelos veículos de comunicação, que ditam a moda e padrões de beleza e sociais, vão colaborar para criar uma situação de total instabilidade do adolescente.

Vivendo a insegurança de não poder controlar as mudanças de seu próprio corpo, buscando sua identidade corporal e sua identidade social, muitas vezes o adolescente tende a culpar algum aspecto de seu corpo por toda esta angústia que lhe é gerada. É comum vermos pacientes que "culpam" uma barriga perfeita como a origem de seus problemas e a partir disto tentam pela Cirurgia Plástica consertar-los modificando algum aspecto corporal.

Toda a instabilidade que vive um adolescente se deve aos fatos relacionados. Uma vez que seu desenvolvimento corporal se completa e este adquire uma segurança pessoal frente ao seu convívio social esta instabilidade e toda a angústia que a acompanha tende a finalizar.

Em uma situação em que houve a projeção desta angústia em uma fator corporal se o adolescente foi submetido a um tratamento cirúrgico, que é algo irreversível, o que irá ocorrer na grande maioria das vezes é o arrependimento por ter realizado o procedimento e isto gerar angústia, não mais temporária, mas será um problema que irá acompanhar o jovem por todas as fases de sua vida.

Antes de ser submetido a uma cirurgia é preciso que o real motivo e o verdadeiro desejo do adolescente sejam muito bem definidos. Se for identificado um fator psico social ligado a busca por uma cirurgia é melhor que o procedimento não seja realizado durante este período e seja postergado para uma época de maior estabilidade do jovem.

Um caso muito comum é o de jovens que procuram o cirurgião plástico com a intenção de realizarem Mamoplastia Redutora. Esta é uma situação sempre complicada. As mamas de uma jovem de quinze, dezesseis anos ainda estão em crescimento e conseqüentemente não ha como prever o tamanho final destas bem como o seu formato final.

Geralmente uma jovem que deseja reduzir as mamas possui como fator determinante desta decisão a não aceitação do crescimento mamário e/ou necessidade de ter um determinado padrão de beleza ou social. Quase nunca uma jovem nesta situação esta motivada a fazer a cirurgia por fatores internos condizentes com um desejo pessoal de buscar uma melhoria na harmonia corporal.

Nesta situação é muito comum vermos uma total incerteza, mas grande motivação, quando as pacientes nos respondem porque estão querendo realizar a cirurgia ou quando pedimos que nos expliquem o que ha de errado com estas. Apesar de demonstrarem grande motivação quase sempre as pacientes não conseguem definir de forma clara, nem para elas mesmas, o motivo que as levou buscar reduzir o volume das mamas. Geralmente são relatados um número enorme de razões mas nenhuma delas parece ser o real motivo, ou, apenas um único motivo é exposto e a jovem se apega a este de uma maneira tal que nenhuma outra possibilidade de tratamento é aceita mostrando uma situação de total insegurança uma vez que uma decisão foi tomada, e pela incerteza frente a esta, outras possibilidades são de imediato descartadas uma vez que optar por uma ou outra conduta iria gerar ainda mais angústia, algo que sempre tende a ser evitado por estas pacientes.

É comum vermos pessoas que na sua fase de vida adulta demonstram imenso arrependimento por cirurgias realizadas na adolescência. É comum mulheres procurarem o cirurgião plástico para realizar a Mastoplastia de Aumento (colocação de prótese de silicone) depois de terem feito uma Mamoplastia redutora quando jovens.

Eu tenho uma experiência interessante sobre isto. Uma vez fui procurado por uma jovem de quinze anos que desejava reduzir as mamas. Logo de início já identifiquei uma série de fatores que não justificavam a realização do procedimento. Por um longo período eu argumentei com esta jovem sobre não ser o momento correto para realizar a cirurgia. Não foi possível com nenhuma argumentação conseguir convencê-la que não deviria fazer o tratamento. Chateada saiu do consultório e ainda estava no corredor discutindo com a mãe, quando entrou uma paciente de 35 anos de idade, casada com três filhos, que de cara me falou que ela aos dezoito anos tinha feito uma redução de mamas e tinha se arrependido e agora queria aumentar o tamanho das mamas novamente. De imediato chamei a jovem no corredor e pedi que a paciente conversa-se com ela e lhe contasse sua história, mas mesmo assim não foi possível convencer aquela jovem a não realizar a cirurgia.

Esta "teimosia" em aceitar a não realização de um procedimento durante esta fase de vida vem do fato do adolescente estar em uma situação de total instabilidade, vivendo inúmeros conflitos e a possibilidade de não ter seus conflitos resolvidos de maneira instantânea coloca o jovem numa posição de total negação quando vislumbra a menor possibilidade de que isto não possa ser obtido.

Quando esta necessidade de tentar resolver sua angústia com uma cirurgia é confundida com Motivação ou desejo pela realização do procedimento tanto pais quanto cirurgiões plásticos podem vir a ceder a acabam por realizar a tentativa o que irá resultar num futuro bem próximo em arrependimento para o paciente adolescente.

Alem disso, toda cirurgia deixa como parte de seu resultado, uma cicatriz. Muitas vezes um paciente adulto tem dificuldade em lidar com isto. Um adolescente que encontra-se em dificuldade por não controlar, por não poder prever o resultado final das mudanças em seu próprio corpo não possui estrutura para lidar com a presença de cicatrizes, e com o fato de que uma vez presente não ha meios para remove-las. Uma mama que é tida como volumosa e incomoda a jovem geralmente causa menos transtornos que uma mama com cicatrizes resultante de uma redução mamária.

A Cirurgia Estética precisa ser cuidadosamente indicada em caso do paciente ser um adolescente. Na grande maioria das vezes a contra indicação para a sua realização é muito melhor, apesar de resultar em um transtorno momentâneo, frente a insatisfação permanente com resultado obtido, que é irreversível.

Em caso de procedimentos que podem ser revertidos não ha muito problema, caso haja arrependimento este pode ser revertido parcialmente, uma vez que as cicatrizes não podem ser apagadas, e uma situação semelhante a anterior a cirurgia pode ser estabelecida.

Nem todos os procedimentos de cirurgia estética apresentam estes problemas por isso é preciso uma avaliação muito criteriosa antes de submeter uma jovem a qualquer tipo de cirurgia.


Dr. Iversen Ferrante Boscoli