Dr. Iversen Ferrante Boscoli
  CRM: 85374 - SP Médico pela Universidade Federal do Paraná
  Cirurgião Plástico pela UNIFESP - Escola Paulista de Medicina
  Av. John Kennedy, 876 Jardim das Nações Taubaté - SP

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Quando não se pode fazer uma Cirurgia Plástica

- O que é Contra indicação
- Tipos de Contra indicações
- O que pode ser uma contra indicação para realizar uma cirurgia.
- Tenho um problema de saúde. Quando poderei fazer minha cirurgia?
- Existe alguma situação que impeça a realização da cirurgia?
- Tenho um filho recém nascido posso fazer uma cirurgia?
- Eu trabalho, isto influencia minha cirurgia?
- Quero muito fazer minha cirurgia, mas meu médico é contra.
- Tenho Depressão. Posso fazer uma cirurgia plástica?

Toda cirurgia causa um trauma ao nosso organismo. Sempre que uma pessoa é submetida a uma cirurgia seu corpo sofre as conseqüências do ato cirúrgico. Várias são as alterações decorrentes deste fato é o que chamamos de Resposta Endócrino Metabólica ao trauma.

Para recupera-se destas alterações é preciso que nosso corpo esteja em perfeito estado de saúde. Qualquer alteração endócrina ou metabólica decorrente de qualquer causa/doença pode impedir que esta recuperação ocorra ou causar prejuízos a esta.

Quando esta situação ocorre nosso corpo irá sentir as conseqüências que podem ser manifestadas basicamente de duas maneiras.

1- Uma doença previa poderá ser piorada. O aumento da gravidade de um estado de saúde prévio pode ser causado pelas alterações resultantes do trama da cirurgia e aumentar a gravidade da doença podendo chegar ao ponto de comprometer a segurança do paciente. É o caso de uma pessoa que tenha sofrido um infarto. Se submetida a uma cirurgia e durante o procedimento houver, por exemplo, uma queda de pressão arterial ira ocorrer uma diminuição na circulação do sangue que vai para o coração e desta maneira aumentar ainda mais o infarto piorando a condição do paciente.

2 – Poderá ocorrer um comprometimento do resultado final da cirurgia.

É por isso que ao avaliarmos uma pessoa para ser submetida a uma cirurgia devemos buscar por situações que possam causar prejuízo ao paciente ou ao resultado da cirurgia. Para se indicar um procedimento é preciso avaliar o Risco Benefício do procedimento para o paciente.

Situações onde existem fatores que determinam um Risco potencial maior que o Benefício que o procedimento pode gerar ao paciente são definidas como contra indicações para a realização da cirurgia.

Da mesma forma quando existe um risco de que o resultado final de uma cirurgia possa ser comprometido significa que o benefício que o procedimento poderia dar ao paciente após a sua execução esta diminuído, caracterizando também uma situação onde o a realização do procedimento é contra indicada.

As contra indicações, como chamamos estes fatores que determinam um aumento do risco e uma diminuição da possibilidade de benefícios para o paciente, podem ser divididas em dois tipos.

Contra indicações absolutas: São situações que impedem definitivamente a realização da cirurgia. Neste caso se o procedimento for realizado é quase 100% a chance de que haja piora do estado de saúde do paciente, pois o risco de causar danos ao paciente é muito elevado em relação ao benefício que a cirurgia pode proporcionar. O procedimento só pode ser realizado quando haja uma correção ou compensação completa do fator ou doença.

Contra indicações relativas: Quando ha fatores que aumentam o risco de insucesso da cirurgia ou de que venham a ocorrer problemas a saúde do paciente decorrente do procedimento, mas a incidência destes problemas não é tão elevada (100%) como no caso das contra indicações absolutas. Neste caso há um aumento do risco que não exclui o benefício da cirurgia para o paciente.

Nem sempre um estado de saúde ou situação do paciente terá o mesmo comportamento, isto porque a contra indicação é definida como sendo absoluta ou relativa levando-se também em conta o tipo de cirurgia a ser realizado.

Um exemplo; o tabagismo é uma contra indicação absoluta para a realização da cirurgia de Rejuvenescimento Facial. A Ritidoplastia (cirurgia para Rejuvenescimento da Face) tem o seu resultado final muito dependente da vascularização da pele da face. A nicotina do cigarro é uma substancia que causa o fechamento dos vasos sanguíneos (efeito vaso constritor) e com isso há uma diminuição da circulação do sangue para a pele da face o que pode causar a morte, a necrose, da pele e vai comprometer seriamente o resultado da cirurgia pela presença de cicatrizes muito alargadas e de péssimo aspecto estético decorrentes da perda de cobertura cutânea causada pela necrose local. Em uma cirurgia de mamoplastia de aumento (Linkar com Mamoplastia de aumento) (cirurgia de colocação de silicone nas mamas) o tabagismo não tem muita influencia no resultado final da cirurgia pois neste tipo de procedimento a vascularização da pele não sofre tanta influencia assim da ação vaso constritora da Nicotina e não é comum que haja sofrimento do suprimento sanguíneo da mama a ponto de causar danos a esta. Neste tipo de cirurgia o Tabagismo é um contra indicação relativa e desde que a paciente não tenha um comprometimento respiratório severo que impeça a realização da anestesia a cirurgia pode ser feita sem grande chance de que problemas ocorram.

Quando o paciente consegue parar de fumar, deixamos de ter o fator de risco presente e a cirurgia de rejuvenescimento facial pode ser realizada sem que haja a ocorrência de necrose da pele.

Alguns fatores que são contra indicações relativas podem se somar a outros e assim duas ou mais contra indicações relativas se tornam um contra indicação absoluta para a realização da cirurgia. Até que se tenha revertido todas as contra indicações relativas o procedimento fica impedido de ser realizado.

A diabete é uma doença que cronicamente compromete os pequenos vasos sanguíneos de nosso corpo causando danos a micro circulação. Assim como o efeito vaso constritor da Nicotina, a diabete provoca uma diminuição da circulação do sangue na pele. Uma paciente com diabete cronicamente descompensada pode ter um dano muito acentuado de sua micro circulação, se somado a isto tivermos associado o tabagismo a chance de que problemas ocorram durante uma cirurgia é muito elevada, sendo assim uma situação de contra indicação absoluta para a realização de uma Ritidoplastia.

Se eventualmente o habito do Tabagismo deixar de existir ainda assim teremos um contra indicação para a realização desta cirurgia pelo grave comprometimento da circulação sanguínea da pele decorrente da diabete cronicamente descompensada e cirurgia devera ser contra indicada.

Em uma situação de uma diabete bem tratada e que se mantenha compensada mesmo que a doença tenha um longo período de existência, sem que haja sinais de comprometimento da circulação periférica, ao deixar o habito do tabagismo deixamos de ter as duas contra indicações relativas e desta maneira a paciente poderá ser operada.

O mesmo acontece com outras associações de doenças como: Hipertensão arterial e diabete, Hipo/Hipertireoidismo e Diabete, e assim por diante;

Como vimos a diabete assim como o tabagismo pode ser uma contra indicação absoluta ou relativa para a realização das cirurgias.

De maneira geral doenças sistêmicas graves ou descompensadas, doenças cárdio circulatórias, doenças pulmonares, doenças/distúrbios auto imunes, distúrbios do colágeno, são contra indicações absolutas para a realização de procedimentos em cirurgia plástica.

Diabete descompensada, hipertensão arterial, obesidade, tabagismo, entre outras são contra indicações relativas em cirurgia plástica.

Como foi dito existem fatores, como as doenças, mas também existem situações que podem ser contra indicações para a realização de um procedimento em cirurgia plástica.

A idade é uma destas situações. Realizar Cirurgias Estéticas em Adolescentes muitas vezes pode ser algo complicado e é muito grande o nível de arrependimento frente ao procedimento. Isto ocorre por características próprias do adolescente sendo muitas vezes contra indicado realizar este tipo de cirurgias em pacientes desta faixa etária.

A falsa expectativa de resultados ou quando há um falso desejo de realizar a cirurgia também são situações de contra indicação relativa em cirurgia plástica.

Quando identificado qualquer situação de contra indicação para a realização de uma cirurgia plástica o médico deve sempre levá-la em consideração de modo a evitar que problemas sejam causados ao paciente, ou que o resultado da cirurgia fique comprometido causando a falha no objetivo do tratamento.

Até que todos os fatores que contra indicam uma cirurgia sejam resolvidos, ou contornados, o procedimento não deve ser executado. Isto garante que a cirurgia seja realizada com o máximo de segurança para o paciente e que bons resultados sejam obtidos. Para isto o cirurgião plástico deve realizar uma boa avaliação pré-operatória de seu paciente de modo a poder identificar a presença de qualquer situação que seja contra indicação e poder trabalhar junto ao paciente orientando qual seria a melhor forma para solucionar o problema.

Também deve haver o empenho do paciente em atentar para com as orientações que estão sendo dadas pelo seu cirurgião plástico e buscar trabalhar em conjunto solucionando a contra indicação e com isto ter condições adequadas a realização do procedimento, que então pode ser feito sem grandes riscos a sua saúde e bem estar.

Nesta avaliação pré-operatória devemos atentar não somente há fatores relacionados a situação de saúde, ou corporal, do paciente. Devemos também avaliar sua situação social e psíquica.

Se houver uma situação social que se mostre uma contra indicação relativa a execução da cirurgia esta deve ser solucionada previamente ao tratamento.

Um exemplo: Uma cirurgia que demande uma abstinência completa de esforço físico não pode ser realizada em uma paciente que tenha um filho de colo, ou de pouca idade. Nesta condição a criança ainda tem uma grande dependência materna o que obriga a mãe a executar atividades diárias que exigem esforço físico intenso, como carregar, dar banho na criança, etc. Se a cirurgia for realizada nesta condição provavelmente a dependência materna que a criança ainda possui irá obrigar a mãe a executar atividades que exigem esforço e com isto pode ocorrer o comprometimento do resultado da cirurgia ou mesmo a sua perda.

Uma pessoa que tenha uma ocupação profissional que exija a sua presença em público pode se ver em uma situação de grande constrangimento ou mesmo impossibilitada de exercer suas atividades. Uma cirurgia de rejuvenescimento facial, ou uma cirurgia das pálpebras, cursam no pós-operatório com intenso edema da face. Isto causa uma perda da personificação da pessoa que perde “a boa aparência”. Apesar destes aspectos serem transitórios, pode ser muito comprometedor inviabilizando a realização das atividades usuais de ocupação do paciente.

Se a atividade profissional da paciente demanda a realização de esforço físico se a cirurgia exigir repouso a este tipo de atividade a paciente ficará impossibilitada de exercer suas atividades profissionais ate o final do terceiro mês após a cirurgia. Algo que pode ser realmente complicado por trazer problemas profissionais pela não execução dos compromissos diários. Se por necessidade laboral a paciente for obrigada a fazer esforço físico poderá ocorrer comprometimento da cirurgia, ou mesmo danos a sua saúde.

Assim, a baixa idade dos filhos e o tipo de atividade ocupacional podem ser contra indicações relativas na realização de um determinado procedimento, não pelo procedimento poder comprometer o estado de saúde da paciente, mas por gerarem uma situação de comprometimento social de forma a lhe causar transtornos graves na esfera social ou mesmo no resultado final da cirurgia.

É por isto que a investigação do cirurgião plástico deve ser estendida ao âmbito social de sua paciente de forma que fatores como estes sejam identificados e com isto possam ser criados mecanismos que permitam resolve-los e o procedimento seja realizado sem que haja o risco de causar um problema social a sua paciente.

A falsa expectativa de resultados, uma doença depressiva (depressão grave), uma perda exagerada da auto-estima, doenças psiquiátricas, incapacidade de aderência ao tratamento são alguns exemplos de situações na esfera psíquica que são contra indicações para a realização de cirurgias estéticas e que quando não são identificadas pelo cirurgião vão causar sérios problemas pois este tipo de problema vai se refletir de forma generalizada na forma como o paciente encara o seu tratamento podendo gerar a perda da cirurgia, comprometimento do resultado final, e sempre cursa com uma insatisfação plena do paciente frente ao resultado final obtido qualquer que seja este.

Estas situações são as mais difíceis de serem identificadas pelo cirurgião plástico pois muitas vezes não há condições para que isto ocorra. Seja por incapacidade do profissional em desvendar este tipo de problema em sua entrevista com o paciente, pois muitas vezes estes aspectos somente podem ser revelados por um profissional especializado nesta área, seja pelo fato de que muitas vezes a/o paciente dissimulam estes aspectos. Isto é a causa mais freqüente de insatisfação com o resultado de uma cirurgia e de problemas no relacionamento médico paciente.

O cirurgião tem que ter a habilidade para desconfiar da presença de alterações na esfera psíquica de sua paciente e com isto lidar com a situação, seja buscando auxilio de um especialista que possa desvendar mais profundamente o problema, seja por uma abordagem direta com a sua paciente. Desta forma esta situação pode ser corretamente dimensionada e com isto definimos se ela é realmente uma contra indicação para a cirurgia ou não.

Se for identificada uma situação real na esfera psíquica que seja uma contra indicação, absoluta ou relativa, o cirurgião não deve submeter a paciente ao tratamento por mais insistente que esta seja, por mais tentativas de convencer do contrario que possam surgir, pois o tratamento sempre estará fadado ao fracasso caso esta limitação para a execução do procedimento cirúrgico não seja adequadamente manejada em conjunto com o paciente.

Quando este aspecto for identificado pelo seu cirurgião este deverá abordá-lo, de uma forma direta ou através do auxilio de um especialista, e nesta condição é preciso que haja seu empenho em compreender que esta atitude é uma conduta médica que visa unicamente preservar o seu bem estar.

O bom cirurgião plástico se preocupa com todos estes aspectos em seus pacientes e sempre irá agir de forma a ter o máximo de segurança na realização da cirurgia. Problemas desta natureza podem colocar a sua integridade em risco sendo por este motivo, para seu próprio bem estar, é que devemos abordar estes aspectos com nossos pacientes sempre que eles são identificados.

Para o sucesso de seu tratamento, para que o resultado final de uma cirurgia plástica seja o melhor possível é preciso que haja empenho de cirurgiões e pacientes de forma que eventuais problemas, eventuais contra indicações possam ser resolvidas de forma correta garantindo que o tratamento seja feito com segurança absoluta levando ao sucesso da cirurgia.


Dr. Iversen Ferrante Boscoli