Dr. Iversen Ferrante Boscoli
  CRM: 85374 - SP Médico pela Universidade Federal do Paraná
  Cirurgião Plástico pela UNIFESP - Escola Paulista de Medicina
  Av. John Kennedy, 876 Jardim das Nações Taubaté - SP

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Reação ao trauma em cirurgia


O que uma cirurgia pode causar no meu organismo?
Vou ter cicatrizes depois da minha Plástica?
Porque fica tudo inflamado depois da cirurgia?
O que pode atrapalhar minha Plástica?
 

Todo Trauma desencadeia no nosso organismo uma série de respostas endócrinas e metabólicas que tem por finalidade fazer o reparo dos danos causados.

Uma cirurgia causa no organismo um trauma controlado. Ao incisar a pele, por exemplo, o cirurgião causa a morte de células que compõe a sua estrutura, alem de seccionar vasos sanguíneos que levam ao sangramento da ferida operatória. Todos estes elementos de nosso corpo precisam ser reparados para que a sua integridade seja restaurada. Um corte na pele é uma porta de comunicação do meio interno de nosso corpo com o meio externo o que pode causar sérios problemas como infecções, perda de líquidos corporais, exposição de estruturas nobres e para evitar isto a ferida é fechada pela produção de um cicatriz, que substitui a células que foram lesadas, faz a reconstrução dos vasos sanguíneos devolvendo ao local a sua vascularização.

Uma cicatriz é composta de tecido fibroso, que por sua vez é composto de fibras de colágeno e fibras elásticas, ela fecha o local da ferida, ou do trauma, mas não substitui as células que foram destruídas. Isto quer dizer que uma cicatriz nunca possui as mesmas características do tecido em que ela se formou. Na pele a cicatriz é menos elástica que a pele normal, pode apresentar alterações de coloração, não é capaz de produzir suor, sebo, nem pelos, pois não apresenta folículos pilosos, sendo diferente da pele que a circunda. No fígado a cicatriz não capaz de funcionar como o tecido hepático normal no exercício das funções que o fígado possui em nosso organismo.

A formação de uma cicatriz para fechar a ferida aberta durante uma cirurgia é apenas um dos resultados de todas as alterações que nosso corpo sofre para reparar um dano a ele causado. A isto chamamos de cicatrização que geralmente é o termo utilizado de maneira simplista para referir todas estas alterações metabólicas decorrentes de uma cirurgia/trauma.

As alterações metabólicas de correntes do trauma podem ser divididas em: Alterações relacionadas ao Metabolismo Calórico; Alterações do Metabolismo Hidroeletrolítico;  Alterações relacionadas ao local da ferida.

As duas primeiras são alterações sistêmicas, ou seja, afetam todo o organismo ao mesmo tempo, enquanto a terceira ocorre somente no local da ferida.

O estímulo para que o organismo inicie todos estes processos de reparação é o dano celular e em cirurgia este geralmente esta relacionado ao local da incisão, as áreas de descolamento (como na confecção de retalhos, descolamento da pele do abdome, descolamento da mama para inclusão do silicone), as áreas de destruição tecidual (como na lipoaspiração onde uma grande quantidade de tecido gorduroso é destruído pela ação da cânula), a produção de necroses pelo uso de Cautério para a hemostasia ou pela perda de vascularização dos tecidos manipulados durante a cirurgia.

A morte celular causa a liberação de uma série de substancias que são as ativadoras dos mecanismos de reparação. Estas substancias agem no local da ferida e em todo o organismo gerando as alterações metabólicas descritas.

Todo o processo de reparação é dependente do Processo Inflamatório, ou reação inflamatória. Este é ativado pela presença do dano celular e o responsável pelo inicio e controle de toda a reparação. A reação inflamatória é dependente, por sua vez, do nosso Sistema Imune.

Alguns fatores como a desnutrição, uso de drogas (principalmente o álcool e tabaco), deficiência imune, doenças associadas, idade, causam alterações em todo este processo seja por uma deficiência nos mecanismos de ativação ou seja pela ineficácia dos mecanismos de reparo levando a problemas durante o processo de reparação do organismo.

O tabagismo causa uma diminuição do aporte de sangue no local da ferida e com isto todo o processo de reparo fica prejudicado. Drogas como os Corticóides inibem a ação do sistema imune o que bloqueia o processo de reparo pela perda da resposta inflamatória do organismo. O Diabete e a Hipertensão Arterial causam alterações da circulação periférica, como a da pele, e com isto dificultam todo o processo de cicatrização e reparo. O Hipotireoidismo e o Hipertireoidismo são doenças endócrinas que alteram todo o metabolismo corporal afetando diretamente todos os processos de reparação.

Assim, para se ter uma resposta ao trauma de uma cirurgia adequada é preciso que o paciente goze de boa saúde, se houver alguma doença ela deve estar sob controle, não fazer uso de medicações sem orientação médica nem o uso de drogas para que sua recuperação seja completa e este tenha uma boa cicatrização.

Uma avaliação cuidadosa deve ser feita antes de qualquer cirurgia para que as situações descritas possam ser identificadas e se necessário de alguma forma estes problemas possam ser resolvidos a fim de evitar que complicações ocorram após a cirurgia.


Dr. Iversen Ferrante Boscoli